Genética

Mutações Genéticas - Doenças Genéticas

Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Niemann Pick-C

O que é?

 

A Niemann Pick tipo C é uma doença rara que se caracteriza por um defeito no transporte dos lípidos intracelulares, originando acumulação excessiva de colesterol e glicoesfingolípidos (lípidos estruturais presentes na membrana plasmática) nos lisossomas do cérebro e outros tecidos.


criança que sofre de Niemann Pick C

 

Sintomas


O principal sintoma desta doença é a deterioração neurológica: dificuldade na coordenação motora, perda do equilíbrio, fala lenta e confusa, dificuldade no movimento dos olhos para cima e para baixo.

 

Esta doença pode aparecer em diferentes idades: no nascimento, dos 2 aos 6 anos, dos 6 aos 15 anos ou dos 15 anos para cima.

 

Entre o nascimento e os 2 anos de idade, a criança apresenta: atraso no desenvolvimento motor, hipotonia central (anomalia no sistema central nervoso), perda da audição e paralisia do olhar na vertical (a criança tem dificuldades em olhar para cima e para baixo).

 

Entre os 2 e os 6 anos de idade, a criança, para além de apresentar os sintomas anteriores, também apresenta ataxia (má coordenação dos movimentos), distonia (perturbações na contracção muscular), disfagia (sensação de comida “presa” na garganta ou no esófago), disartria (dificuldade na fala) e crises convulsivas.

 

Entre os 6 e os 15 anos de idade, a criança/ o adolescente, para além dos sintomas anteriormente referidos, tem problemas comportamentais, insucesso escolar, cataplexia (perda súbita da força muscular) e mioclonias (movimentos súbitos e involuntários de um músculos).

 

Dos 15 anos para cima, o adolescente/ o adulto, para além dos sintomas anteriormente referidos, apresenta demência (perda ou diminuição do conhecimento), falta de jeito, dificuldades na continuação dos estudos ou na procura de emprego e síndromes psiquiátricos.

 

Testes de diagnóstico

 

Até recentemente era difícil de fazer um diagnóstico conclusivo a esta doença.

 

O diagnóstico da doença exige muita atenção e competência. Primeiro, deve-se conhecer os vários sintomas que possam levar à suspeita de doença. Depois seguem-se os exames bioquímicos em cultura de fibroblastos da pele, obtidos por biópsia. A acumulação de colesterol em fibroblastos é avaliada através da coloração das células com filipina que emitem fluorescência sob luz UV. Contudo, os resultados destes testes podem ser inconclusivos, sendo necessária a análise da mutação genética para a confirmação do diagnóstico.


Também pode-se analisar o líquido amniótico de um feto entre a 16ª e a 20ª semana de gravidez.

 

 

Tratamento

 

Ainda não existe um tratamento que seja 100% eficaz. No dia 29 de Janeiro de 2009, foi aprovado o miglustat para tratamento das manifestações neurológicas em doentes adultos com a doença.


Segundo o Relatório Público Europeu de Avaliaçao do Medicamento, o miglustat é utilizado no tratamento de duas doenças congénicas raras, que afectam a forma como o corpo metaboliza as gorduras.


No tratamento da NPC, o miglustato inibe a actividade de uma enzima chamada glucosilceramida sintetase. Assim, o miglustato reduz a produção de glicoesfingolípidos nas células e, consequentemente, reduzirá os sintomas da doença.


Em 2007, o Lancet Neurology publicou um estudo com doentes com 12 anos de idade. Durante um ano, verificou-se que o miglustat melhora de forma significativa a velocidade dos movimentos oculares, melhora a capacidade de deglutinação e permite uma acuidade auditiva estável. Muitos neurologistas de renome defendem que este estudo é bastante favorável e consistente na estabilização da doença.


Também a alimentação pode ajudar a diminuir o colestrol: carnes magras, claras dos ovos, feijão, lentilhas, esparguete, sumos naturais, arroz, cebola, maçã, citrinos, …

Não se deve comer carnes gordas, manteiga, bolachas, chocolates, doces, presunto e enchidos, etc.

 

Locais de tratamento

 

  • Hospital Geral de Santo António (Centro Hospitalar do Porto);
  • Hospital de São João, Porto;
  • Hospital de Crianças Maria Pia (Centro Hospitalar do Porto);
  • Hospital de Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte);
  • Hospitais da Universidade de Coimbra;
  • Hospital Pediátrico (Centro Hospitalar de Coimbra).

 

Curiosidades

 

  • Esta doença, em todo o mundo, afecta uma pessoa em cada 150.000.
  • Num estudo em 2004, cerca de 2,2 pessoas em cada 100.000 está afectada, em Portugal.
  • É uma doença autossómica recessiva, isto é, a criança recebe de cada um dos progenitores um gene que contém a informação da patologia.
    • Se os dois progenitores forem normais, o filho terá 0% de ser afectado pela patologia.
    • Se um dos progenitores for normal (não possui nenhum gene da NPC) e o outro apresentar um dos genes, o filho destes terá 50% de probabilidade de ser normal e não portador da doença ou 50% de probabilidade de ser portador não afectado.
    • Se os progenitores forem portadores da doença, a criança terá 25% de ser normal não portador, 50% de ser portador não afectado ou 25% de afectado.
    • Se os dois progenitores são doentes, o filho terá 100% de ser afectado pela doença.
  • O início dos sintomas pode ocorrer em qualquer faixa etária mas, frequentemente, surge em idade escolar, após um período de desenvolvimento normal da criança.
  • Esta doença deriva de uma mutação no gene NPC1, localizado no cromossoma 18 (presente em 95% das famílias atingidas), ou no NPC2 (cromossoma 14).
publicado por Equipa do Blog às 21:01
Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

PORFÍRIAS

HISTÓRIA


A Porfíria Aguda e a Porfíria Cutânea Tardia são conhecidas pela medicina desde o século XIX. A doença, nesta época ocorria na região dos balcãs, na Europa, local supersticioso com muitas lendas sobre Vampiros, Lobisomens e outros seres sobrenaturais.

O termo porfiria vem do grego porphura (pigmento roxo ou púrpura).

 

Apesar de a doença ser conhecida há muito tempo (sugere-se que Hipócrates já tinha tido contacto com portadores e reconhecia a doença), o nome "porfiria" foi dado por um estudante de medicina alemão, Schultz, em 1874, devido à coloração púrpura na urina de alguns pacientes. A primeira descrição oficial de um caso de porfiria aguda como uma síndrome foi feita pelo Dr. B.J. Stokvis no ano de 1889. Em 1930, o químico alemão Hans Fischer recebeu o prémio Nobel de Química por estudos sobre os pigmentos no sangue, incluindo a síntese de bilirrubina e heme.

Em 1937, o médico sueco Jan Gösta Waldenström publicou as suas descobertas sobre a porfiria aguda intermitente, pelo que esta era conhecida como "porfiria sueca" ou "porfiria de Waldenström".

 

Apenas na década de 60 os exames para a detecção da síntese do heme foram desenvolvidos, permitindo o diagnóstico adequado.

Em 1985, o bioquímico David Dolphin propôs uma relação entre as porfirias e os mitos balcânicos de vampiros, numa tese apresentada à Associação Americana Para o Avanço da Ciência. Segundo Dolfin, como resultado da deficiência na produção de hemoglobina, no passado e por ignorância, vítimas ou parentes de vítimas da doença acreditaram que a ingestão de sangue pudesse aliviar o sofrimento durante as crises.

 

O QUE É ?


As porfirias constituem um grupo de pelo menos oito doenças genéticas distintas, além de formas adquiridas. São provocadas por deficiências das enzimas implicadas na síntese do heme e que levam à superprodução e acumulação de porfirinas, que são precursores metabólicos de porfirinas. A deficiência de cada uma das oito enzimas necessárias à produção do heme origina um tipo particular de porfiria.

 

Os factores externos desempenham um papel muito importante no desencadeamento dos sintomas e desenvolvimento destas doenças, tais como: medicamentos, álcool, hormonas, dieta, stress, exposição solar, etc.

 

As porfirias podem ser divididas em hereditárias e adquiridas. As porfirias hereditárias classificam-se de acordo com o défice enzimático específico. Conforme a forma de apresentação dos sintomas, as porfirias são classificadas em agudas (causam sintomas neurológicos) e cutâneas (causam fotosensibilidade da pele), existindo igualmente porfirias que causam ambos os sintomas. De acordo com a zona de sintetização do heme, podem ser eritropoiéticas (medula óssea) ou hepáticas (fígado).

 

Estrutura tridimensional da hemoglobina. O heme está representado em verde mais escuro.

 

O heme é um composto simples que transporta o oxigénio e dá a cor vermelha ao sangue e é um componente-chave das hemoproteínas, que se encontram em todos os tecidos. É um componente importante de diversas proteínas com função de transporte (hemoglobina, mioglobina), catálise (peroxidase, citocromo c oxidase), transporte activo de membranas (citocromos) e transferência de electrões (citocromo c).

 

O heme é sintetizado na medula óssea para produzir a hemoglobina e no fígado como componente dos citocromos. Alguns citocromos oxidam substâncias químicas, incluindo medicamentos, para que sejam mais facilmente eliminados do organismo.

 

Na síntese do heme intervêm oito enzimas diferentes (a primeira e as últimas três ocorrem na mitocôndria, e as restantes quatro ocorrem no citoplasma). As deficiências, quer no funcionamento quer na quantidade, podem levar a uma determinada forma de porfiria.

 

Uma enzima é uma molécula que acelera uma reacção química e é tão importante para que a reacção ocorra, que esta praticamente não existe sem ela. A falta de uma enzima pode provocar o aumento da produção de outro produto da reacção e este ir-se acumulando. Nas porfirias falta uma enzima de produção do heme, fazendo com que se acumulem substâncias anteriores à reacção e faltem substâncias provenientes da reacção que não se efectuou. Cada enzima afectada conduz a um padrão diferente de alterações, que resultam em consequências e sintomas diferentes.

 

As Porfirinas são os principais precursores do heme e as deficiências nas enzimas da cadeia de síntese da porfirina, podem levar a uma produção insuficiente de heme e, consequentemente, dos seus compostos, como a hemoglobina, a mioglobina e o citocromo. Embora com actividade reduzida pode haver produção de heme suficiente para a manutenção da vida, mas a acumulação das porfirinas, que são tóxicas quando em altas concentrações, são o problema que origina a doença.

 

As três porfirias mais frequentes são a porfiria cutânea tardia (PCT), a porfiria aguda intermitente (PAI) e a protoporfiria eritropoiética (PPE). Estas perturbações são muito diferentes, assim como os seus sintomas e tratamento, sendo necessários diversos e diferentes exames para os seus diagnósticos. Algumas características são comuns às das porfirias menos frequentes, que incluem deficiência da desidrase do ácido delta-aminolevulínico. Todas as porfirias, com excepção da porfiria cutânea tardia, são hereditárias.


  • Porfirias Hepáticas:

PORFÍRIA AGUDA INTERMITENTE (PAI): deficiência na enzima hidroximetilbilano (HMB) sintase/Porfobilinogen deaminase (PBGD)

A PAI é uma doença rara e uma das porfirias hepáticas hereditárias, habitualmente herdada de apenas um dos progenitores, apenas foram descritos 5 casos em todo o mundo onde os dois genes eram mutantes e em todos eles os sintomas surgiram durante a infância e foram severos. É uma doença autossómica dominante. A enzima deficiente que a origina é a Portobilinogen deaminase (PBGD) também chamada Hidroximetilbilano (HMB). Esta enzima era anteriormente denominada uroporfirinogene I-sintase.

 

Têm sido identificadas várias mutações na parte do DNA onde se insere o gene do PBGD. As mutações são diferentes de família para família com PAI, mas em cada família a mutação é a mesma.

 

A deficiência da enzima não é por si só suficiente para dar origem à doença, para que tal aconteça é necessário que se conjuguem outros factores, que são, por vezes, de difícil identificação, como: hormonas, medicamentos ou alimentos. Na maioria dos casos, a PAI não se manifesta e fica latente, até que se conjuguem outros factores. A PAI é a principal porfiria que causa sintomas agudos, geralmente severos e com risco de vida, mas de curta duração. Esta é porfiria aguda mais comum nos EUA.

 

 

PORFIRIA ALAD (PAD): deficiência de ácido delta-aminolevulínico (ALA) Dehidratase

É um tipo muito raro de porfiria, que se deve à deficiência da enzima ácido delta-aminolevulínica dehidratase, que aumenta a excreção do ácido na urina. É uma doença autossómica recessiva.

 

 

COPROPORFIRIA HEREDITÁRIA (CPH): deficiência da enzima coproporfirinogen (COPRO) III oxidase

É uma doença autossómica dominante. A enzima encontra-se na mitocôndria.

 

 

PORFIRIA VARIEGATA (PV): deficiência de protoporfirinogen (PROTO) oxidase (PPOX)

É uma doença muito comum nos brancos da África do Sul (3 para cada 1.000 pessoas), praticamente todos descendentes da união de dois colonos holandeses na região em 1688. É autossómica dominante, bastando, por isso, um gene para a desencadear. Foram identificados alguns casos raros de existência de 2 genes mutantes no mesmo indivíduo.

 

 

PORFIRIA CUTÂNIA TARDIA (PCT): deficiência de uroporfirinogen (URO) III decarboxilase

É a mais vulgar das porfirias e deve-se à deficiência da enzima uroporfirinogen decarboxilase (UROD). É uma doença geralmente adquirida e não congénita, no entanto, alguns doentes têm uma deficiência genética (autossómica dominante) de UROD, que contribui para o desenvolvimento da PCT. A maioria dos que herdam a deficiência enzimática não chegam a apresentar sintomas. A doença é adquirida quando ocorrem factores externos que afectam uma enzima no fígado.

  • Porfirias Eritropoiéticas:


PROTOPORFIRIA ERITROPOIÉTICA (PPE): Esta porfiria caracteriza-se por níveis anormalmente elevados de protoporfirina IX nos eritrócitos, nas fezes e no plasma e por sensibilidade à luz visível e também pela existência de uma quantidade diminuída da enzima ferroquelatase. É uma porfiria autossómica dominante.

 

Podem existir ou coexistir diferentes causas para a manifestação desta porfiria:

O gene ALAS2 é responsável pelo desenvolvimento dos eritroblastos e é muito importante na produção de heme. Existem pelo menos 2 diferentes mutações deste gene que têm sido encontradas em doentes com protoporfiria eritropoiética.

O gene FECH comanda a enzima ferroquelatase, que também está envolvida na produção de heme e é responsável pelo oitavo e último passo no processo de produção do heme. Neste passo do processo é inserido um átomo de ferro no centro da protoporfirina IX, produzida no passo anterior (sete).

Para que se sofra desta doença é necessário ter as duas cópias do gene FECH mutadas, existindo diversos tipos de mutação deste gene.


PORFIRIA ERITROPOIÉTICA CONGÉNITA (CEP): deficiência de uroporfirinogen (URO) III sintase

Esta doença é extremamente rara e é autossómica recessiva. É igualmente conhecida por Doença de Gunther. Foram identificadas diversas mutações do gene para esta enzima em diferentes famílias.

 

 

PORFIRIA HEPATOERITROPOIÉTICA (HEP): deficiência da uroporfirinogen decarboxilase (UROD)

Este tipo de porfiria é muito raro e é autossómico recessivo. É causada pela mutação e mambas as cópias do gene UROD em cada célula.

 

SINTOMAS


Os sintomas das Porfírias Hepáticas podem ser mistos (sintomas PCT e sintomas PAI) e estarem latentes (apenas haver presença de copro e uroporfirinas) até que um factor externo provoque sintomas. Os doentes com porfirias hepáticas correm um maior risco de contraírem cancro de fígado.

 

As porfírias agudas afectam primeiro o sistema nervoso central, provocando reacções metabólicas violentas como fortes dores abdominais e musculares, refluxo, vómitos, espasmos, paralisia e convulsões, e também perturbações dos sentidos como distúrbios mentais, alucinações, depressão, transtornos de personalidade ansiedade. Quando o sistema nervoso fica danificado podem ocorrer problemas cardíacos, respiratórios, musculares, etc. Os sintomas podem ser desencadeados por medicamentos, agentes químicos e certos alimentos ou mesmo por falta de alimentação que origina a queda dos valores de glicemia.

 

As porfirias cutâneas afectam primariamente a pele. A fotossensibilidade causa bolhas, necrose da pele e gengivas, prurido e edema, que demoram a sarar deixando cicatrizes e manchas desfigurantes. Acontece igualmente crescimento de pelos em áreas algumas áreas como a testa. A acumulação de resíduos excretados pela urina pode torná-la vermelha, castanho escuro ou púrpura. Também pode haver acumulação dos precursores nos dentes e unhas, levando-os a adquirir uma coloração avermelhada.

 

sintomas de diferentes porfirias cutâneas

Os sintomas e consequências de algumas porfirias podem ser tão traumáticos, que muitos doentes se suicidam, se tornam anti-sociais, agressivos e se isolam.

 

PORFIRIA AGUDA INTERMITENTE (PAI) – é a mais frequente e é característica do sexo feminino e dos jovens. Normalmente a deficiência da enzima não é suficiente para causar as crises, sendo necessários outros factores externos para despoletar uma crise. Cerca de 80% dos portadores de da enzima deficiente não chegam a ter sintomas e muitos sofrem apenas sintomas leves ocasionais.

As crises são geralmente despoletadas pela conjugação de diversos factores externos, o que torna a sua identificação mais difícil: medicamentos (barbitúricos, sulfamidas, antiepilépticos); hormonas (progesterona, esteróides); alimentação (pobre em calorias e hidratos de carbono, álcool) ou stress.

 

Os sintomas podem durar vários dias e surgem, normalmente, depois da puberdade, sendo mais frequentes nas mulheres. A dor abdominal é o sintoma mais frequente e pode ser muito violenta. Outros sintomas gastrointestinais são: náuseas, vómitos, prisão de ventre ou diarreia e distensão abdominal. Pode verificar-se dificuldade em urinar. A frequência cardíaca costuma aumentar durante as crises e verifica-se hipertensão arterial, muita transpiração e intranquilidade.

 

Todos estes sintomas resultam de efeitos sobre o sistema nervoso. Os nervos que controlam os músculos podem ser lesados, provocando fraqueza nos ombros, nos braços e até nas pernas, provocando falta de sensibilidade e de reflexos, dores intensas e tremores. Esta fraqueza pode estender-se a todos os músculos, incluindo os implicados na respiração, fala, deglutição e visão e até provocar paralisia facial. Casos em que as crises são fortes e frequentes, podem, a longo prazo, sofrer paralisia dos membros superiores e inferiores e convulsões que podem levar ao colapso respiratório e à morte. Verificam-se, igualmente, casos de histeria, irritabilidade, ansiedade, apatia ou depressão, fobias, psicose, alucinações e confusão, desordens orgânicas, agitação, delírio, sonolência ou coma e mesmo situações de suicídio. A hipertensão arterial mantém-se frequentemente depois da crise.

 

Nalguns casos a recuperação é rápida mas noutros pode demorar vários meses ou anos. As crises, mesmo fortes, não duram muito se forem tratadas adequada e rapidamente, mas se não forem tratadas podem durar semanas ou meses e mesmo conduzir à morte.

Como os sintomas se podem manifestar isoladamente, podem ser confundidos com os de outras inúmeras doenças do sistema digestivo, neurológicas ou psíquicas.

 

PORFIRIA ALAD (PAD) – causa sintomas idênticos aos da PAI.:

 

COPROPORFIRIA HEREDITÁRIA (CPH) – aumento significativo na coproporfirina nas fezes e na urina. As crises agudas têm sintomas semelhantes aos da PAI e podem levar a neuropatia periférica. Pode igualmente provocar lesões cutâneas semelhantes às da porfiria variergata e da porfiria cutânea tardias, em 30% dos casos.

 

PORFIRIA VARIEGATA (PV) – apresenta diferentes sintomas. As manifestações cutâneas são mais evidentes e crónicas do que as da CPH. As lesões cutâneas ocorrem, normalmente, nas áreas expostas à luz (rosto, pescoço, antebraços e mãos). Observam-se bolhas e úlceras em diversas fases de cicatrização, além de áreas de fragilidade mecânica sobre protuberâncias ósseas. As dores abdominais e a neuropatia periférica são semelhantes às da PAI.

 

 

PORFIRIA CUTÂNIA TARDIA (PCT) – mais característica do sexo masculino, depois dos 30-40 anos. É uma porfiria hepática, que se verifica em todas as partes do mundo, sendo a mais frequente e a única que não é hereditária. Os sintomas devem-se à inactividade da descarboxilase do uroporfirinogen, uma das enzimas de que o fígado necessita para a síntese do heme.

 

Embora não seja hereditária, por vezes, uma deficiência parcial da enzima, herdada de um dos pais, faz com que o indivíduo seja propenso a desenvolver esta porfiria. Nesses casos, chama-se porfiria cutânea tardia familiar, por haver deficiência hereditária autossómica dominante de uroporfirinogênio descarboxilase no fígado e eritrócitos. Os factores que contribuem para o seu aparecimento são o ferro, o álcool, os estrogénios e a infecção provocada pelo vírus da hepatite C. Com menor frequência, a porfiria cutânea tardia manifesta-se nas pessoas infectadas com o vírus (HIV).

 

Aparecem bolhas nas zonas expostas ao sol e a pele, sobretudo a das mãos, torna-se sensível a pequenos traumatismos. As crostas e cicatrizes resultantes das bolhas demoram muito a curar. As lesões da pele produzem-se porque as porfirinas originadas no fígado são transportadas pelo plasma do sangue até à pele. O fígado em geral fica parcialmente lesado, devido a uma infecção pelo vírus da hepatite C ou pelo abuso de álcool. Com a evolução do processo pode-se desenvolver cirrose hepática e inclusive cancro do fígado.

 

PROTOPORFIRIA ERITROPOIÉTICA (PPE) – nesta porfiria forma-se protoporfirina na medula óssea, glóbulos vermelhos e plasma sanguíneo, provocando a fotossensibilidade da pele.

 

PORFIRIA ERITROPOIÉTICA CONGÉNITA (CEP) - evidencia-se nas crianças com anemia hemolítica grave, fotossensibilidade, ulcerações e hipertricose.

 

PORFIRIA HEPATOERITROPOIÉTICA (HEP) – é extremamente rara e os sintomas são semelhantes aos da CEP. Os sintomas cutâneos aparecem na infância. As porfirinas em excesso aparecem na medula óssea e no sangue e também no fígado, plasma, urina e fezes.

 

 

TRATAMENTO


Os ataques graves de PAI tratam-se com heme, por via endovenosa e as dores associadas com analgésicos. O heme é fixado pelo fígado, onde compensa a síntese reduzida do mesmo. Se o tratamento for feito assim que surgem os sintomas, a recuperação é rápida, caso contrário além de ser demorada pode deixar lesões nervosas permanentes. Os tratamentos com heme também podem ser utilizados como prevenção, mas precisam ser estudados caso a caso.

 

Para ajudar a minorar os sintomas também se utilizam injecções de glicose e uma dieta rica em hidratos de carbono. O acompanhamento médico é muito importante, sobretudo porque sabendo da existência da doença, este poderá determinar os factores que contribuíram ou poderão contribuir para as crises e mandar retirá-los de imediato e proibi-los no futuro. Para estes doentes o consumo de álcool e tabaco é proibitivo.Caso seja uma doença ou infecção que provocou a crise é necessário tratá-la de imediato. Podem prevenir-se os ataques de PAI mantendo uma boa nutrição e evitando medicamentos e outros factores que podem provocá-los. Devem-se evitar as dietas para perder peso. Está em fase de investigação a hormona gonadotropina, como prevenção nas crises pré-menstruais.

 

Os tratamentos actualmente utilizados para as porfírias agudas, com crises moderadas, são basicamente dietas ricas em carbohidratos e glicose, que podem interromper as crises ou auxiliar na recuperação.

 

São igualmente utilizados medicamentos como a Hematima e o Arginato de Heme, que actuam sobre a enzima ALA sintase, bloqueando a produção e acumulação de porfirinas. No entanto estes medicamentos, que apenas reduzem a duração e intensidade das crises, são muito caros e não se encontram disponíveis com facilidade em muitos países.

 

Para a dor utilizam-se analgésicos fortes. Para as náuseas os medicamentos nem sempre são eficientes, havendo médicos que aconselham banhos de imersão em água quente. Quando as crises são muito frequentes há doentes que desenvolvem dores crónicas, para as quais além de analgésicos podem ser necessários tratamentos e mesmo a utilização de drogas, como opiáceos. São também necessários antidepressivos, uma vez que a doença causa problemas psicológicos. A hipertensão e os problemas respiratórios, resultantes da doença, não podem ser descurados e precisam ser controlados.

 

 

Os doentes, com crises agudas, devem andar identificados com algo que permita aos profissionais de saúde não perder tempo nem utilizar medicamentos contra indicados. Por exemplo medicamentos habitualmente utilizados nas convulsões não podem ser administrados a estes doentes, medicamentos que eliminam o excesso de porfirinas no fígado, como a cloroquina ou hidroxicloroquina, e que são utilizados também noutras doenças, só podem ser administrados em doses reduzidas a estes doentes.

 

A PCT é a porfiria mais fácil de tratar, sendo o tratamento mais eficaz a flebotomia, em que se extraem 500 ml de sangue a cada uma ou duas semanas para diminuir a quantidade de ferro  e assim baixar os valores de porfirinas no fígado e no plasma. Habitualmente não são feitos mais de cinco ou seis tratamentos, porque existe risco de anemia.

 

Em todas as porfirias cutâneas é imprescindível a aplicação de protectores solares, bem como evitar ao máximo a exposição à luz solar, utilizando, nomeadamente, chapéus de aba larga, mangas compridas e materiais que filtrem os raios solares nas janelas das casas, carros, etc.. O betacatoreno é um dos produtos mais eficazes para ajudar a suportar melhor a luz solar.

 

Os doentes com protoporfiria eritropoiética podem desenvolver cálculos biliares, que terão que ser extraídos cirurgicamente e por vezes as lesões do fígado obrigam ao seu transplante.

 

ORGANISMOS DE APOIO


Existem diversos organismos internacionais e em vários países para apoio a doentes e familiares com porfirias e também a médicos e ao público em geral (p.e. European Porphyria Initiative e American Porphyria Foundation. Visam disponibilizar informação actualizada e dar a conhecer as doenças. Além disso alguns destes organismos apoia estudos para o desenvolvimento de um maior conhecimento da doença, quer em investigação sobre a doença e suas causas como na investigação de novos tratamentos. É extremamente importante a existência deste tipo de organizações, porque além de apoiarem os próprios doentes e criarem grupos de estudo dos doentes, permitem-lhes igualmente partilhar com os outros as suas experiências e prestam igualmente informação aos profissionais de saúde sobre os desenvolvimentos e descobertas que estão a acontecer por todo o mundo.

 

Existem igualmente diversas associações que visam dar a conhecer doenças raras e conseguir despertar o interesse da sociedade para incentivar o estudo dessas doenças e formas de tratamento.

 

TESTES DE DIAGNÓSTICO


A porfiria é diagnosticada através de espectroscopia (as porfirinas têm um espectro característico de absorção) e exames bioquímicos ao sangue, urina e fezes. A dosagem de porfobilinogen (PBG) na urina e as concentrações de ácido delta-aminolevulínico são os primeiros passos na suspeita de porfiria aguda, à excepção da porfiria ALAD, e no caso de porfirias cutâneas medem-se os valores de porfirina no plasma. No entanto, por vezes há necessidade de repetir várias vezes os exames, durante os ataques, porque entre as crises os níveis podem estar normais ou muito próximo do normal, por isso muitas vezes o diagnóstico é tão demorado. As alterações de cor na urina, depois de exposta à luz, podem ajudar o médico quanto ao diagnóstico. Podem realizar-se outros exames, como certas medições enzimáticas dos glóbulos vermelhos, quando os resultados são anormais.

 

 

O diagnóstico precoce só costuma ser realizado se houver historial familiar ou se o médico colocar logo à partida essa hipótese.

Devido aos diversos tipos e a ser uma doença relativamente rara, a porfiria é muitas vezes mal diagnosticada como outra doença com sintomas parecidos ou comuns e é por isso necessário que os médicos estejam alerta para a existência das porfirias. Por exemplo, entre os cientes com diagnósticos de distúrbios psiquiátricos, a perspectiva de PAI é de cerca 1 para cada 500 casos, o que sugere que muitos "pacientes psiquiátricos" são na realidade portadores de porfiria não tratada.

 

A PAI Tardia pode ser diagnosticada devido ao fácil aparecimento de bolhas, fissuras, cicatrizes e hiperpigmentação da pele exposta à luz, a traumatismos e ao calor. A medição da actividade da enzima HMB sintase (ou PBG deaminase) nas hemácias pode confirmar o diagnóstico de PAI em 95% dos casos, no entanto, na PAI subtipo II, que é mais rara, este valor pode estar normal. Nesses casos, pode medir-se a actividade da enzima noutras células, como fibroblastos ou linfócitos. A Porfiria ALAD tem sintomas semelhantes aos da PAI e pode ser diagnosticada pelo aumento de ácido delta-aminolevulínico na urina. Mas a diferenciação da PAI só é possível com testes genéticos específicos, porque isso também é provável que existam casos diagnosticados incorrectamente como PAI. Na CPH, geralmente é suficiente verificar a elevada dosagem de coproporfirina nas fezes.

 

O diagnóstico definitivo é feito através da pesquisa do gene mutante. Depois do diagnóstico, tanto ao doente como aos familiares directos, é possível com simples precauções evitar que os sintomas cheguem a surgir. Infelizmente os exames ao DNA, nomeadamente para a identificação do gene PBGD, apenas podem ser feitos em alguns laboratórios de pesquisa, sendo necessário que os médicos estejam alerta para a importância deste tipo de exame na identificação definitiva da doença.

 

É igualmente necessário que sejam efectuados exames para diagnosticar a extensão das lesões nos órgãos afectados pela doença.

 

CURIOSIDADES


  • Segundo alguns relatos, no passado, antes da descoberta científica da doença, o tratamento básico para a porfíria era feita através da Sangria, método de medicina medieval que consistia em fazer uma punção da veia para retirada do que era considerado “sangue ruim”. Outro tipo de tratamento da época era a ingestão de carne crua e sangue fresco, porque se acreditava que o seu consumo retardaria ou curaria os doentes. Pacientes com perturbações mentais poderiam atacar outras pessoas para tentar beber seu sangue e existem até mesmo casos de canibalismo realizados por pessoas vitimadas pela porfíria. Devido aos sintomas os tornarem muito diferentes e os impedirem de "levar uma vida normal", no imaginário popular, ao longo de milénios, os portadores da porfiria foram considerados como seres amaldiçoados ou mesmo demónios.
  • A relação entre os mitos de vampiros e lobisomens e os sintomas das porfirias são evidentes: A luz provoca fotodermatite, com lesões e desfigurações sérias, por isso os doentes evitam a luz; As lesões podem levar à necrose das gengivas, tornando os dentes proeminentes; A doença também provoca anemia e palidez; O alho contém dialil-dissulfeto, componente que agrava bastante os sintomas das porfirias; Há crescimento de pêlos pelo rosto, que assume uma aparência cadavérica; Os sinais podem ser melhorados com injeções de heme, por isso o consumo de sangue aliviaria bastante os sinais; Alelos mutantes de certas porfirias são particularmente comuns nos Bálcãs.
  • Muitas doenças e diferenças comportamentais levaram, ao longo dos séculos, ao “isolamento”, morte ou expulsão de indivíduos da sociedade. Por falta de conhecimento médico e /ou científico e muitas vezes apenas por serem diferentes, muitos indivíduos têm sido alvo de anedotas, superstição, lendas ou muito simplesmente de exclusão por parte dos restantes, ditos “normais”. A Porfiria, pelas suas características, talvez seja aquela que mais alimentou esse tipo de mitos.
  • Na Turquia houve, entre 1956 e 1961, registo de uma epidemia de PCT. Em 1954, o governo turco distribuiu sementes de trigo tratadas com fungicidas que continham hexaclorobenzeno (HCB). Estas sementes que eram para plantar, chegaram muito tarde para esse efeito, e foram utilizadas para confecção de alimentos. Foi posteriormente comprovado que a administração continuada de HCB fazia acumular porfirinas no organismo.
  • Ainda hoje esta doença é pouco divulgada e conhecida.
  • Segundo alguns historiadores e alguns médicos que estudaram os relatos dos que trataram do Rei Jorge III de Inglaterra, este sofria de uma das porfirias agudas, provavelmente a Variegata. Os sintomas referidos eram muitas dores abdominais, vermelhidão da pele, falta de força e lapsos mentais, o que poderia ser a razão das suas excentricidades e insensatez.

OBSERVAÇÕES


Mais uma vez se verifica que, embora haja imensa informação disponível, é muito difícil ter a certeza que está correcta. A informação acerca de doenças, sobretudo de doenças raras e genéticas, está sempre a ser actualizada e por isso existe muita informação que se contradiz, isto é, já foi válida mas já foi ultrapassada. Mesmo nos sites internacionais sobre as porfirias existem discrepâncias. Por exemplo, a European Porphyria Initiative não menciona a “Porfiria Hepatoeritropoiética” e a American Porphyria Foundation inclui esta porfiria.

publicado por Equipa do Blog às 21:01
Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Síndrome Hutchinson-Gilford / Progeria

HISTÓRIA

 

Jonathan Hutchinson, foi o primeiro a descrever esta doença, em 1886. Em 1904, Hastings Gilford, realizou diferentes estudos a respeito do seu desenvolvimento e características. Desses factos resultou que a forma mais severa desta doença se denominasse Síndrome de Hutchinson-Gilford.

 

Progeria deriva do grego “geras”, que significa velhice.

 

Devido ao facto de ser uma doença muito rara e com uma esperança de vida tão curta, tem sido difícil e demorado o seu estudo. Só em 2003 foi descoberto o gene desta doença.

 

O QUE É ?

 

A Progeria é uma doença genética extremamente rara e fatal, estimando-se que afecte 1 em cada 4 a 8 milhões de nascimentos, em todo o mundo. Esta doença afecta ambos os sexos e todas as raças de igual forma.

Desde 1886, foram relatados mais de 130 casos.

 

Embora haja outros tipos de Progeria, a Síndrome de Progeria de Hutchinson-Gilford é a mais vulgar e é, actualmente, considerada autossómica dominante, o que quer dizer que basta existir uma cópia alterada do gene para causar a doença.

 

A doença resulta de uma mutação, G608G, no exon 11 do gene LMNA (Lamin A), no cromossoma 1, e manifesta-se praticamente sempre em crianças que não têm qualquer historial desta doença na família. Foram estudados 2 casos de gémeos idênticos com a mesma doença e existem alguns casos em que parece existir um factor hereditário. No entanto, esta doença é considerada basicamente como uma mutação “de novo”.

 

O gene LMNA codifica as proteínas Prelamina A e Prelamina C, que se sabe serem muito importantes na estabilização da membrana interior do núcleo das células, sendo a base estrutural que mantém a célula em equilíbrio. Nas crianças com Progeria existe uma ligeira mutação do gene LMNA, que provoca uma produção anormal da proteína Prelamina A, chamada Progerina, que resulta do desaparecimento de cerca de 50 aminoácidos dentro da proteína Prelamina A. Esta alteração parece desestabilizar o núcleo das células, mudando a sua forma e sendo particularmente nociva para os tecidos sujeitos a forças físicas como os cardiovasculares e os musculares ligados ao esqueleto. A mutação do gene causa uma forma alterada tornando as células instáveis e danifica o núcleo, impedindo a regeneração dos tecidos e provocando a morte prematura das células.

 

Ainda está a ser estudada a razão que leva a que estas alterações provoquem os sintomas da Progeria. Nos estudos que têm vindo a ser efectuados, concluiu-se que esta ligeira mutação genética parece sempre ocorrer durante a mitose ou nos gâmetas dos progenitores na altura da fecundação. Em praticamente todos os casos apenas um par de bases em cerca de 25000 pares de bases de DNA que constituem o gene LMNA sofre a mutação.

 

Apesar da descoberta do gene que causa a doença ter sido primordial para o seu conhecimento e estudo, existem outras possíveis causas para os sintomas e progressão da doença, como:

 

A perda progressiva e acelerada das extremidades dos Telómeros que controlam o número de divisões nas células. Esta perca verifica-se tanto no envelhecimento progressivo normal como no patológico, ou seja, o encurtamento do telómero, a cada divisão celular, é uma espécie de “contador” do número de divisões celulares que se processam e, indirectamente, da duração da vida. Em todas as células existe, na parte final dos cromossomas, uma substância, telomerase, que impede que o DNA se desgaste à medida que se dão as divisões celulares. As células adultas não produzem a enzima telomerase, que reconstrói o telómero, por isso sempre que uma célula se divide o telómero encurta e assim decorre o processo normal de envelhecimento.

 

A helicase, enzima fundamental na replicação do DNA, também apresenta uma anomalia.

A esperança de vida destas crianças é muito curta e elas não se desenvolvem fisicamente, nem chegam à maturação sexual necessária para a reprodução.

 

A doença continua a ser estudada e pode dizer-se que cada caso dá uma nova “luz” no caminho para um maior conhecimento da doença. Existem, no entanto, ainda muitas questões em aberto para a sua compreensão total.

 

SINTOMAS

 

As crianças com Progeria nascem aparentemente saudáveis e só começam a evidenciar sintomas de envelhecimento prematuro entre os 18 e os 24 meses.

 

Tanto o desenvolvimento intelectual como a mobilidade não são afectados. Também o sistema imunológico funciona normalmente.

Existem alterações radiológicas e histopatológicas características da doença. A nível da estrutura do esqueleto, estas crianças apresentam osteoporose e escoliose. As restantes alterações incluem: a pele, com áreas de pele normal que alterna com zonas em que a epiderme apresenta um aumento de melanina da camada basal; a derme é delgada; no tecido subcutâneo existe perda de tecido adiposo; ao nível cardiovascular encontram-se placas ateromatosas nas artérias coronárias, na aorta e nas mesentéricas; calcificações das válvulas aórtica e mitral; fibroses; isquemia e enfarto do miocárdio. Nalguns casos verificam-se alterações das glândulas endócrinas, como atrofia das tiróides e interrupção da espermatogénese.

 

Os sintomas incluem:

  • deficiência de crescimento: perca de massa corporal e de cabelo, pele enrugada,
  • doenças cardiovasculares, rigidez nas articulações, aterosclerose generalizada.
  • Estas crianças têm uma predisposição genética para doenças cardíacas associadas ao envelhecimento, no entanto sintomas característicos de idade avançada como cataratas, Alzheimer, distúrbios senis, não têm sido registados.

traços característicos de uma criança com Progeria

 

As principais características que sobressaem fisicamente são:

  • Alopecia, perda de gordura subcutânea e osteólise;
  • Artrose;
  • Baixa estatura ou nanismo;
  • Cabelo rarefeito ou ausente (generalizado);
  • Clavícula ausente ou anormal;
  • Dificuldades na alimentação no lactente;
  • Envelhecimento prematuro;
  • Erupção tardia dos dentes;
  • Face estreita;
  • Fenótipo emagrecido;
  • Hipoplasia terminal dos dedos;
  • Luxação do quadril;
  • Micrognatia/retrognatia;
  • Mobilidade articular diminuída;
  • Pele fina;
  • Pilosidade corporal reduzida;
  • Puberdade tardia/hipogonadismo;
  • Sobrancelhas ausentes/rarefeitas;
  • Unhas dos pés finas/hipoplásicas;
  • Unhas finas/hipoplásicas/hiperconvexas;
  • Choro/voz anormal;
  • Fontanela grande;
  • Lábios finos;
  • Lóbulo do pavilhão auricular pequeno/hipoplásico.

Estas crianças, embora pertençam a diferentes grupos étnicos, são muito parecidas fisicamente. A esperança média de vida é de 13 anos, embora haja casos entre os 8 e os 21 anos. As causas de morte são normalmente problemas cardiovasculares e enfarte devido à aterosclerose.

 

TRATAMENTO

 

Não existem ainda tratamentos concretos para a doença propriamente dita, apenas tratamentos experimentais.

Para reduzir os efeitos da doença, são receitados medicamentos que visam tratar os sintomas:

  • Complexos vitamínicos;
  • Co-enzima Q-10;
  • Ácidos-Gordos;
  • Vitamina E;
  • Anti-Oxidantes;
  • Hormona do Crescimento;
  • Nitroglicerina;
  • Aspirina;
  • Cálcio;
  • Morfina.

Os médicos recomendam uma dieta regular em que sejam controlados os lípidos, muita actividade física, terapia física e ocupacional, hidroterapia. Estes doentes têm igualmente que fazer regularmente muitos exames médicos, para tentar controlar os sintomas da progressão da doença.

Relativamente a tratamentos experimentais têm sido investigados diversos, que estão já a ser aplicados aos doentes e outros que estão ainda em fase de investigação em animais.

 

De entre várias investigações, destaca-se o teste com a combinação de estatinas (usadas para diminuir a taxa de colesterol no sangue e prevenir riscos cardiovasculares) e aminobifosfonatos (para tratamento da osteoporose), que permitiu diminuir a toxicidade da progerina, em ratos, e assim atenuar o desenvolvimento da doença e prolongar a vida.

 

Um dos tratamentos que foi identificado, após a descoberta do gene, foi a utilização de inibidores de farnesiltransferase (FTIs) já usados para tratamento de cancro em crianças. O tratamento com este medicamento e respectivo estudo dos resultados, iniciou-se em 2007 e está a ser suportado pela PRF em parceria com o Hospital de Crianças de Boston e nele estão incluídos diversos doentes que se inscreveram. Este tratamento visa bloquear a produção de progerina e dessa forma tentar deter a progressão da doença.

 

 

Posteriormente iniciou-se e está a decorrer um segundo estudo, combinando um FTIs (Lonafarnib) mais dois medicamentos: Pravastatin, que é uma estatina (para baixar o colesterol e prevenir doenças cardiovasculares) e o ácido Zoledrónico, que é um bifosfonato (para a osteoporose e prevenção de fracturas ósseas em pessoas com alguns tipos de cancro). Estes 3 medicamentos combinados bloqueiam a produção da molécula de farnesil, que faz com que a progerina produza a doença. Desta forma, espera-se que o resultado seja conseguir deter a progressão da doença, enquanto se procuram mecanismos para a anular.

 

ORGANISMOS DE APOIO


A Fundação The Progeria Research Foundation (PRF) foi fundada em 1999 para encontrar a causa, tratamento e cura para a Progeria. Em 2009 lançou uma campanha para a divulgação dos sintomas da doença entre a comunidade médica e população em geral, a que chamou "Encontre as Outras 150". Existiam, à data da campanha, 52 crianças com Progeria, identificadas em 29 países, no entanto, os cientistas consideram que existem pelo menos mais 150 crianças ainda não identificadas. A Fundação pretende fornecer também a essas crianças, e respectivas famílias, serviços médicos e apoio. Além disso quanto mais casos forem estudados, maior será a hipótese de serem encontrados possíveis tratamentos. A Fundação financia testes clínicos, que estão a decorrer em Boston e pode ser contactada através do site “progeriaresearch.org” onde dispõe de toda a informação actualizada bem como inscrições para o programa de testes.

 

Fomentou igualmente a criação de um banco de DNA para a possibilidade de uma futura utilização, uma vez que a metodologia, testes e a compreensão existente actualmente relativamente a genes, mutações e doenças poderá melhor significativamente no futuro e será, portanto, importante poder aproveitar tudo o que anteriormente se conseguiu para futuros testes mais eficientes.

 

TESTES DE DIAGNÓSTICO

 

Alguns testes de diagnóstico, utilizados há alguns anos, tornaram-se obsoletos à medida que o conhecimento sobre a doença aumentou. O diagnóstico da progeria era fundamentalmente clínico e realizado em crianças que apresentassem os sinais iniciais da doença entre o primeiro e o segundo ano de vida. Verificavam-se as características radiológicas e histopatológicas descritas como sintomas de Progeria. Um sinal também comum a estes doentes é o aumento da excreção de ácido hialurónico na urina, no entanto, a partir de 2003, a sua medição foi considerada pouco fiável para diagnóstico da progeria.

 

Após ter sido identificado o gene mutado, a PRF criou um programa de testes para o diagnóstico.

Continua a ser feita uma primeira avaliação clínica, através da aparência física e do historial clínico, no entanto, após análise ao sangue da criança é agora possível detectar a presença do gene mutado. Isto permite, pela primeira vez desde a identificação do 1º caso, uma prova científica cabal de um diagnóstico de progeria.

 

Este teste permite igualmente a detecção da doença muito mais cedo e iniciar o tratamento precoce da doença. Terão igualmente que ser feitos diversos exames médicos para determinar a extensão da doença.

 

O teste de confirmação de que a criança é portadora de uma mutação genética esporádica (uma nova mutação) permite garantir aos progenitores que é muito pouco provável que a mesma condição genética se manifeste noutros filhos que venham a ter.

 

O teste prenatal não se justifica uma vez que é uma mutação “de novo” e portanto não herdada. Além de que estas crianças morrem antes da idade de se reproduzirem.

 

CURIOSIDADES

 

Diferentes mutações do mesmo gene LMNA são responsáveis por mais de dez distúrbios genéticos, incluindo 2 formas raras de distrofia muscular.

Um grupo de pesquisadores do departamento de Biologia da Universidade de Dallas, tem-se dedicado ao estudo dos telómeros e, utilizando a engenharia genética, criou uma cópia do gene envolvido na produção de telomerase, introduziu-o em células envelhecidas e verificou que ao fim de 24h estas células tinham produzido telomerase e ao fim de 2 anos se comportavam como células jovens, continuando a dividir-se e sem que os telómeros “encurtassem”. No entanto, isto é em laboratório porque na realidade não se sabe muito bem qual a melhor forma de o fazer com seres vivos. A hipótese seria introduzir o gene anexado a um vírus, mas até agora não se sabe ainda como deter a multiplicação das outras células como as cancerígenas que continuariam a multiplicar-se.

 

Noutra experiência, num laboratório farmacêutico em Filadélfia, verificaram que ratos com o sistema imunitário incompleto conseguiam “auto regenerar” os órgãos do corpo. Na fase de embrião ainda não existe sistema imunitário e as células têm a capacidade de se transformar em qualquer órgão, no entanto, também ainda não se sabe quais as células indiferenciadas embriónicas a utilizar para cada órgão e portanto a cura ainda está longe.

 

OBSERVAÇÕES

 

A informação sobre esta doença encontra-se muito desactualizada em inúmeros artigos consultados na Internet. O site mais fiável é o da “The Progeria Research Foundation (PRF)” embora não seja em português e haja alguma dificuldade na tradução de alguns termos técnicos actuais.

Felizmente que a Progeria afecta pouquíssimas crianças, no entanto, o interesse no seu estudo decerto estará também ligado ao facto da descoberta da cura para esta doença implicar também decerto na descoberta da forma de retardar os efeitos do envelhecimento dos seres humanos. Além disso, a descoberta de uma cura para a Progeria pode também trazer a forma de tratar ou curar doenças cardíacas, aterosclerose e outras associadas ao envelhecimento normal.

publicado por Equipa do Blog às 20:57
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Síndrome de Rett

História


Esta síndrome foi descoberta em 1966 pelo Doutor Andréas Rett de Viena, Áustria. Ao final de 1983, Dr. Bengt Hagberg da Suécia junto com outros colegas de França e de Portugal publicaram em inglês, numa revista de grande difusão, uma revisão da Síndrome, que compreendia 35 casos.

 

Em Janeiro de 1985, Dr. Rett visitou o Instituto John F. Kennedy para meninos inválidos em Baltimore, Maryland, onde o Dr. Hugo Moser organizou a primeira conferência nos Estados Unidos.

 

A Associação Internacional da Síndrome de Rett conseguiu que o Dr. Rett examinasse 42 meninas diagnosticadas como casos ponteciais da síndrome. A reunião levou a um aumento intenso do conhecimento da síndrome e seus formatos, e mais suas formas de manifestações nos Estados Unidos.

 

O que é?

 

A síndrome de Rett é um conjunto de sintomas que aparecem na infância, causada por uma anomalia no gene mecp2, que conduzem a uma severa e complexa descapacidade em contraste com o desenvolvimento normal temporal sem uma explicação etiológica.

 

Pode-se considerar como um “transtorno secundário do movimento” devido a não haver debilidade ou dano nas áreas motoras primárias, porém nos mecanismos usados para o controlo final das informações do córtex cerebral.

 

Sintomas/Modificações Físicas

 

Esta doença genética padece de uma evolução ao longo da infância do afectado:

  • 1º Estágio: O diagnóstico ainda não pode ser confirmado, mas frequentemente, estas crianças são diagnosticadas, como portadoras de autismo ou de paralisia cerebral – O aparecimento das aquisições motoras grosseiras (sentar, ficar em pé, andar) pode ser muito demorado ou apenas levemente atrasado.
  • 2º Estágio: Entre o 2º e 5º ano – As características do desenvolvimento motor grosseiro continuam a ser significativamente melhoradas, ao contrário do desenvolvimento motor fino e do desenvolvimento mental que permanecerão estacionários ou podem regredir – Podem surgir problemas físicos, perda da função das mãos e a crescente intensidade no esfregar das mãos.
  • 3º Estágio: Algumas crianças poderão obter melhorias ao nível dos movimentos manuais – Incapacidade presente da marcha; tempo de reacção muito retardado; problemas de coordenação óculo manual; total ou quase total inabilidade de comunicação verbal; exprimem, pelo olhar diferentes emoções e estados de espírito, etc.
  • 4º Estágio: Atingido na puberdade: podem melhorar muito ao contacto afectivo; controlar as crises convulsivas; agravamento da escoliose, das posturas viciosas, das tendências ao emagrecimento; alterações tróficas e distúrbios circulatórios nos membros inferiores.

consequências da síndrome de Rett

 

Tratamento

 

O processo de intervenção em crianças e jovens com síndrome de Rett, deve envolver uma equipa multidisciplinar constituída por:

  • Médicos (para realizar o diagnóstico clínico, o controle medicamentoso das crises epilépticas, etc.);
  • Fisioterapeutas (para trabalhar a marcha, espacidade, contraturas, deformidades articulares);
  • Professores/Educadores (para melhorar o nível cognitivo, sócio-afectivo e motor);
  • Terapeutas da fala (para auxiliar na assistência à alimentação, e realizar exercícios preparatórios de linguagem);
  • Psicólogos (como suporte emocional aos pais, assim como para criar novos canais de comunicação).

A intervenção deve ser organizada e estruturada: os técnicos envolvidos no processo deverão trabalhar em articulação no sentido de melhorar a qualidade de vida da criança/jovem com síndrome de Rett.

 

Deverá trabalhar-se a cognição, a comunicação, o nível motor, a parte sócio – afectiva; recorrendo à estimulação global, à intervenção precoce, à terapia pela música, à psicomotricidade, à hipoterapia, à terapia pela arte, à hidroterapia, à terapia ocupacional, à terapia da fala, etc.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico desta enfermidade baseia-se em:

  • Critérios necessários (presentes em todas as pacientes):
    • Desenvolvimento pré-natal (antes do nascimento) e perinatal (pouco tempo depois de nascer) aparentemente normal;
    • Desenvolvimento psicomotor normal até os 6 meses de idade;
    • Perímetro cefálico (circunferência da cabeça) normal ao nascimento;
    • Desaceleração do perímetro cefálico após 6 meses de idade;
    • Perda do uso propositado das mãos;
    • Movimentos manuais estereotipados (torcer, aperta, agitar, esfregar, bater palmas, "lavar as mãos" ou levá-las à boca);
    • Afastamento do convívio social, perda de palavras aprendidas, prejuízos na compreensão, raciocínio e comunicação.
  • Critérios de suporte (presentes em algumas pacientes):
    • Distúrbios respiratórios em vigília (hiperventilação, apnéia, expulsão forçada de ar e saliva, aerofagia);
    • Bruxismo (ranger os dentes);
    • Distúrbios do sono;
    • Tónus muscular anormal;
    • Distúrbios vaso - motores periféricos (pés e mãos frios ou cianóticos);
    • Cifose/escoliose progressiva;
    • Retardo no crescimento;
    • Pés e mãoes pequenos e finos.
  • Critérios de exclusão (ausentes nas pacientes):
    • Órgãos aumentados (organomegalia) ou outro sinal de doenças de depósito;
    • Retinopatia, atrofia óptica e catarata;
    • Evidência de dano cerebral antes ou após o nascimento;
    • Presença de doença metabólica ou outra doença neurológica progressiva;
    • Doença neurológica resultante de infecção grave ou trauma craniano.
publicado por Equipa do Blog às 20:25
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Síndrome de Edwards ou trissomia 18

O que é?

 

A síndrome de Edwards ou trissomia 18, é uma síndrome genética resultante de trissomia do cromossoma 18, isto é, uma mutação cromossómica numérica ao nível do cromossoma 18 que ganha um outro cromossoma que anteriormente não possuía, esta ocorre em média 1 em cada 6000 nados vivos. Mais de 90% dos portadores deste extra cromossoma terão a trissomia completa e os outros terão uma mutação originária da translocação de cromossomas. Ela foi descrita inicialmente pelo geneticista britânico John H. Edwards.

 

Estes sintomas têm uma incidência mais focalizada no sexo feminino, mas calcula-se que 95% dos casos de trissomia 18 resultem em abortos espontâneos durante a gravidez. Um dos factores de risco é idade avançada da mãe. A esperança de vida para as crianças com síndrome de Edwards é baixa, mas já foram registados casos de adolescentes com 15 anos portadores da síndrome.

 

bebé com trissomia 18

 

Independente da idade, tem risco de ter um defeito cromossómico em seu feto. A maioria dos pacientes com a trissomia do cromossoma 18 apresenta trissomia regular sem mosaicismo, isto é, cariótipo 47, XX ou XY, +18. Entre os restantes, cerca de metade é constituído por casos de mosaicismo e outro tanto por situações mais complexas, como aneuploidias duplas, translocações. Destes, cerca de 80% dos casos são devidos a uma translocação envolvendo todo ou quase todo o cromossoma 18, o qual pode ser herdado ou adquirido de novo a partir de um progenitor transportador.

 

Estudos recentes demonstram que, na maior parte dos casos (85%), o erro ocorre na disjunção cromossómica da meiose materna, e somente 15% da meiose paterna. O primeiro caso de trissomia 18 foi descrito por Edwards, no ano de 1960, daí o nome Síndrome de Edwards.

 

Sintomas e modificações

 

Esta síndrome genética pode ser diagnosticada ao nascimento, ou mesmo algum tempo depois, a partir dos aspectos físico do paciente (por se tratar de uma síndrome extremamente complexa, as más formações descritas na literatura são diversas, seguramente mais de 150), os quais podem variar ligeiramente, mas que constituem um quadro sintomático anatómico e fisiológico comuns:

  • Hipertonia (característica típica);
  • Estatura baixa;
  • Cabeça pequena, alongada e estreita;
  • Zona occipital muito saliente;
  • Pescoço curto;
  • Orelhas baixas e mal formadas;
  • Defeitos oculares;
  • Palato alto e estreito, por vezes fendido;
  • Lábio leporino;
  • Maxilares recuados;
  • Esterno curto;
  • Mão cerrada segundo uma forma característica (2º e 5º dedos sobrepostos, respectivamente, aos 3º e 4º dedos);
  • Pés virados para fora e com calcanhar saliente;
  • Rugas presentes na palma da mão e do pé, ficando arqueadas nos dedos;
  • Unhas geralmente plásticas;
  • Acentuada má formação cardíaca;
  • Anomalias renais (rim em ferradura)
  • Anomalias do aparelho reprodutor.
  • Hirsutismo.

As características principais da síndrome são: atraso mental, atraso do crescimento e, por vezes, malformação grave do coração. O crânio é excessivamente alongado na região occipital e o pavilhão das orelhas apresenta poucos sulcos. A boca é pequena e o pescoço geralmente muito curto. Há uma grande distância intermamilar e os genitais externos são anómalos. O dedo indicador é maior que os outros e flexionado sobre o dedo médio. Os pés têm as plantas arqueadas e as unhas costumam ser hipoplásticas. Não há tratamento específico e conhecido por Síndrome de Edward.

 

Cerca de 30% dos portadores da Síndrome de Edwards demonstram algum comprometimento do sistema nervoso central, sendo os mais frequentes: alteração do padrão dos giros cerebrais, alterações morfológicas cerebrais, anomalias do corpo caloso e hidrocefalia. Os pacientes apresentam, normalmente, atrofia cerebral de graus variados, demonstrada na tomografia axial.

 

Testes de diagnósticos

 

Pode ser diagnosticada através de ultra-sons durante a gravidez pode detectar anomalias, porém, isto pode ser confirmado através da realização de uma amniocintese.

 

As crianças nascidas com trissomia 18 apresentam, normalmente, um tamanho reduzido ao nascimento. Após o nascimento, médicos especializados conseguem identificar a doença através da observação das seguintes características: protuberância na parte posterior da cabeça, fissuras mais acentuadas na parte exterior dos olhos, boca e maxilar de dimensões reduzidas, orelhas modificadas, alteração ao nível do tamanho do punho e dos seus respectivos dedos.

 

Tratamento

 

Não há tratamento para a síndrome de Edwards, mas tratamento através de medicamentos para combater alguns dos sintomas são indispensáveis.

 

O tratamento desta doença está direccionado para a proveniência de uma boa nutrição e o tratamento de infecções que são bastantes frequentes e ainda medicamentos que possibilitem um melhor funcionamento do coração do doente.

 

Muitas das crianças nascidas com esta doença apresentam uma grande dificuldade nas questões da alimentação, assim sendo a comida pode ser fornecida através de tubos intra-gástricos ou directamente através de uma gastrostomia.

 

Para além da parte física do tratamento, é indispensável um bom acompanhamento emocional e psíquico através dos familiares e amigos. As crianças possuem uma esperança de vida muito curta, muitas delas não sobrevivem para além de um ano de vida.

publicado por Equipa do Blog às 09:36
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Síndrome de Williams

História

 

O nome desta síndrome vem do médico, Dr. J.C.P. Williams que a descreveu em 1961 na Nova Zelândia e pelo Dr. A. J. Beuren da Alemanha em 1962.

 

Em que consiste?

 

A Síndrome de Williams, também conhecida como síndrome Williams-Beuren, é uma desordem genética que, talvez, por ser rara, frequentemente não é diagnosticada. A transmissão desta doença não é herditária. E pode afectar ambos os sexos.

rapaz com síndrome de Williams

 

Tratamento e Consequências/Efeitos secundários

 

É muito importante identificar portadores desta síndrome logo na infância, pois, tem influência em diversas partes do desenvolvimento cognitivo, comportamental e motor.

 

As medidas preventivas devem-se iniciar logo após o diagnóstico com um estudo minucioso para descarte de anomalias do coração e rins. É necessário monitorar frequentemente a hipertensão arterial, incluindo a avaliação da tensão arterial nos quatro membros.

 

A otite crónica exige avaliações auditivas frequentes e quando necessário o envio para uma consulta de otorrinolaringologia. O tratamento de problemas dentários necessita da profilaxia da endocardite. Face às infecções urinárias frequentes torna-se necessário avaliar a função renal periodicamente e realizar um estudo minucioso na infância e na adolescência.

 

Na adolescência, para além de se manter a vigilância dos sistemas já descritos, deve-se pesquisar a presença de escoliose e contratura das articulações. Os problemas alimentares observados nos mais novos são ultrapassados, sendo a obesidade encontrada em 29% dos adultos. O comportamento e aproveitamento escolar, quando problemáticos carecem de medidas de apoio. A ansiedade pode estar associada à úlcera péptica e a litíase biliar é um diagnóstico possível em doentes com dores abdominais.

 

As crianças portadoras desta síndrome apresentam uma grande sociabilidade, entusiasmo, grande sensibilidade, uma memória fantástica para pessoas, nomes e locais; ansiedade, medo de alturas, preocupação excessiva com determinados assuntos ou objectos, distúrbios do sono. Muitas crianças com esta síndrome demonstram medo ao escutarem ruídos de bater palmas, liquidificador, avião, etc., por serem hipersensíveis ao som.

 

É normal crianças com esta síndrome serem amigas de adultos e procurarem a companhia deles, ao mesmo tempo têm dificuldade em fazer amizades com outras crianças da sua idade.

 

 

Sintomas/ Modificações físicas

 

A síndrome de Williams é uma doença caracterizada por "face de gnomo ou fadinha”.

Os portadores desta doença têm um nariz pequeno e empinado, cabelos encaracolados, lábios cheios, dentes pequenos e um sorriso frequente. Estas crianças normalmente têm problemas de coordenação e equilíbrio,

 

Pois apresentam um atraso psicomotor. O seu comportamento é sociável e comunicativo e utilizam expressões faciais, contactos visuais e gestos na sua comunicação.

 

Na maioria dos casos infantis (durante o primeiro ano de vida), as crianças têm dificuldade em se alimentar, ficam irritadas facilmente e choram muito.

 

Embora comecem a falar tarde, por volta dos 18 meses, demonstram facilidade em aprender rimas e canções, demonstrando muita sensibilidade musical e concomitantemente boa memória auditiva.

 

O seu desenvolvimento motor é mais lento, demorando mais tempo que o normal a começar a andar, e têm grande dificuldade em executar tarefas que necessitem de coordenação motora tais como: cortar papel, desenhar, andar de bicicleta, atar os atacadores, etc..

publicado por Equipa do Blog às 09:18
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Sindrome de Marfan

O que é?

 

A síndrome de Marfan é uma doença genética que afecta o tecido conjuntivo (são responsáveis pelo estabelecimento e manutenção da forma dos órgãos, ossos e ligamentos do corpo), tornando-os mais frágeis.

 

Sintomas

 

A síndrome de Marfan é uma doença genética associada a deficiências do tecido conjuntivo (desempenha uma função de suporte nos diversos órgãos do corpo).


A síndrome de Marfan é causada por mutações no gene FBN1 (fribilina-1), localizado no cromossoma 15.

 

Esta doença afecta principalmente três sistemas humano: o sistema esquelético, cardiovascular e ocular.


Relativamente ao sistema esquelético, o indivíduo apresenta elevada estatura, escoliose (a coluna vertebral em vez de estar na vertical, tem um formato de “S”), braços e mãos longas e deformação torácica.

No sistema ocular, o indivíduo apresenta miopia e deformação nalguns constituintes do olho.

E no sistema cardiovascular, apresenta alterações na válvula mitral e dilatação da aorta, isto é, a artéria aorta torna-se mais espessa e mais frágil. Isto pode conduzir à dissecção aórtica (a artéria rasga-se), provocando problemas cardíacos graves, como a morte súbita.

 

Testes de diagnóstico

 

Esta doença é difícil de diagnosticar porque não existe um teste laboratorial específico. Para além disso, a maioria das pessoas não apresenta todos os sintomas e complicações da doença.

Normalmente, são feitos exames por especialistas de cardiologia, oftalmologia, ortopedista e um médico genecitista.

  • O cardiologista executa um ecocardiograma (é um exame que permite observar no ecrã e em papel a estrutura e funcionamento do coração);
  • O oftalmologista executa uma biomicroscopia ocular (técnica que permite a observação tridimensional dos tecidos oculares);
  • O ortopedista e/ou o médico geneticista fazem uma análise ao sistema esquelético;
  • Também é analisado o historial médico da família.

Esta série de testes é importante, não apenas na determinação do diagnóstico, mas também na detecção de problemas.

 

Tratamento

 

Ainda não existe cura para a síndrome. Por isso, os exames que são feitos tentam melhorar o prognóstico e aumentar o tempo de vida dos indivíduos afectados.

Mesmo assim, são feitos alguns tratamentos:

  • Ecocardiograma, para monitorizar o tamanho do coração e da aorta;
  • Podem ser prescritos fármacos para baixar a pressão arterial e reduzir o stress na aorta;
  • Acompanhamento periódico de um oftalmologista;
  • Pode ser prescrito o uso de óculos ou lentes de contactos para corrigir alguns defeitos visuais;
  • Acompanhamento regular do sistema esquelético;
  • Pode ser prescrito o uso de uma cinta ou, em casos mais graves, cirurgia ortopédica;
  • Aconselha-se a não fazer exercício físico intenso, para não danificar ainda mais a artéria aorta;
  • Os doentes não devem fumar.

 

Locais de tratamento

 

  • Genetest, Rua Dr. Roberto Frias, Porto.

 

Curiosidades

 

  • A doença afecta, no mundo, um indivíduo em cada 10.000.
  • Trata-se de uma doença autossómica dominante, isto é, basta apenas o filho herdar um gene de um dos progenitores para contrair a doença. Por isso é hereditária.
    • O filho tem 50% de probabilidade de não apresentar a síndrome, se um dos progenitores for portador e o outro não apresentar nenhum gene da síndrome de Marfan.
    • O filho tem 100% de probabilidade de contrair a doença, se os dois progenitores forem portadores.
  • A doença deriva de uma mutação no gene FBN1 (fribilina-1), localizado no cromossoma 15.
  • Pensa-se que esta doença afectou grandes figuras históricas, como o imperador romano Júlio César, Abraham Lincoln e Osama Bin Laden.
publicado por Equipa do Blog às 09:15

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