Genética

Mutações Genéticas - Doenças Genéticas

Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

PORFÍRIAS

HISTÓRIA


A Porfíria Aguda e a Porfíria Cutânea Tardia são conhecidas pela medicina desde o século XIX. A doença, nesta época ocorria na região dos balcãs, na Europa, local supersticioso com muitas lendas sobre Vampiros, Lobisomens e outros seres sobrenaturais.

O termo porfiria vem do grego porphura (pigmento roxo ou púrpura).

 

Apesar de a doença ser conhecida há muito tempo (sugere-se que Hipócrates já tinha tido contacto com portadores e reconhecia a doença), o nome "porfiria" foi dado por um estudante de medicina alemão, Schultz, em 1874, devido à coloração púrpura na urina de alguns pacientes. A primeira descrição oficial de um caso de porfiria aguda como uma síndrome foi feita pelo Dr. B.J. Stokvis no ano de 1889. Em 1930, o químico alemão Hans Fischer recebeu o prémio Nobel de Química por estudos sobre os pigmentos no sangue, incluindo a síntese de bilirrubina e heme.

Em 1937, o médico sueco Jan Gösta Waldenström publicou as suas descobertas sobre a porfiria aguda intermitente, pelo que esta era conhecida como "porfiria sueca" ou "porfiria de Waldenström".

 

Apenas na década de 60 os exames para a detecção da síntese do heme foram desenvolvidos, permitindo o diagnóstico adequado.

Em 1985, o bioquímico David Dolphin propôs uma relação entre as porfirias e os mitos balcânicos de vampiros, numa tese apresentada à Associação Americana Para o Avanço da Ciência. Segundo Dolfin, como resultado da deficiência na produção de hemoglobina, no passado e por ignorância, vítimas ou parentes de vítimas da doença acreditaram que a ingestão de sangue pudesse aliviar o sofrimento durante as crises.

 

O QUE É ?


As porfirias constituem um grupo de pelo menos oito doenças genéticas distintas, além de formas adquiridas. São provocadas por deficiências das enzimas implicadas na síntese do heme e que levam à superprodução e acumulação de porfirinas, que são precursores metabólicos de porfirinas. A deficiência de cada uma das oito enzimas necessárias à produção do heme origina um tipo particular de porfiria.

 

Os factores externos desempenham um papel muito importante no desencadeamento dos sintomas e desenvolvimento destas doenças, tais como: medicamentos, álcool, hormonas, dieta, stress, exposição solar, etc.

 

As porfirias podem ser divididas em hereditárias e adquiridas. As porfirias hereditárias classificam-se de acordo com o défice enzimático específico. Conforme a forma de apresentação dos sintomas, as porfirias são classificadas em agudas (causam sintomas neurológicos) e cutâneas (causam fotosensibilidade da pele), existindo igualmente porfirias que causam ambos os sintomas. De acordo com a zona de sintetização do heme, podem ser eritropoiéticas (medula óssea) ou hepáticas (fígado).

 

Estrutura tridimensional da hemoglobina. O heme está representado em verde mais escuro.

 

O heme é um composto simples que transporta o oxigénio e dá a cor vermelha ao sangue e é um componente-chave das hemoproteínas, que se encontram em todos os tecidos. É um componente importante de diversas proteínas com função de transporte (hemoglobina, mioglobina), catálise (peroxidase, citocromo c oxidase), transporte activo de membranas (citocromos) e transferência de electrões (citocromo c).

 

O heme é sintetizado na medula óssea para produzir a hemoglobina e no fígado como componente dos citocromos. Alguns citocromos oxidam substâncias químicas, incluindo medicamentos, para que sejam mais facilmente eliminados do organismo.

 

Na síntese do heme intervêm oito enzimas diferentes (a primeira e as últimas três ocorrem na mitocôndria, e as restantes quatro ocorrem no citoplasma). As deficiências, quer no funcionamento quer na quantidade, podem levar a uma determinada forma de porfiria.

 

Uma enzima é uma molécula que acelera uma reacção química e é tão importante para que a reacção ocorra, que esta praticamente não existe sem ela. A falta de uma enzima pode provocar o aumento da produção de outro produto da reacção e este ir-se acumulando. Nas porfirias falta uma enzima de produção do heme, fazendo com que se acumulem substâncias anteriores à reacção e faltem substâncias provenientes da reacção que não se efectuou. Cada enzima afectada conduz a um padrão diferente de alterações, que resultam em consequências e sintomas diferentes.

 

As Porfirinas são os principais precursores do heme e as deficiências nas enzimas da cadeia de síntese da porfirina, podem levar a uma produção insuficiente de heme e, consequentemente, dos seus compostos, como a hemoglobina, a mioglobina e o citocromo. Embora com actividade reduzida pode haver produção de heme suficiente para a manutenção da vida, mas a acumulação das porfirinas, que são tóxicas quando em altas concentrações, são o problema que origina a doença.

 

As três porfirias mais frequentes são a porfiria cutânea tardia (PCT), a porfiria aguda intermitente (PAI) e a protoporfiria eritropoiética (PPE). Estas perturbações são muito diferentes, assim como os seus sintomas e tratamento, sendo necessários diversos e diferentes exames para os seus diagnósticos. Algumas características são comuns às das porfirias menos frequentes, que incluem deficiência da desidrase do ácido delta-aminolevulínico. Todas as porfirias, com excepção da porfiria cutânea tardia, são hereditárias.


  • Porfirias Hepáticas:

PORFÍRIA AGUDA INTERMITENTE (PAI): deficiência na enzima hidroximetilbilano (HMB) sintase/Porfobilinogen deaminase (PBGD)

A PAI é uma doença rara e uma das porfirias hepáticas hereditárias, habitualmente herdada de apenas um dos progenitores, apenas foram descritos 5 casos em todo o mundo onde os dois genes eram mutantes e em todos eles os sintomas surgiram durante a infância e foram severos. É uma doença autossómica dominante. A enzima deficiente que a origina é a Portobilinogen deaminase (PBGD) também chamada Hidroximetilbilano (HMB). Esta enzima era anteriormente denominada uroporfirinogene I-sintase.

 

Têm sido identificadas várias mutações na parte do DNA onde se insere o gene do PBGD. As mutações são diferentes de família para família com PAI, mas em cada família a mutação é a mesma.

 

A deficiência da enzima não é por si só suficiente para dar origem à doença, para que tal aconteça é necessário que se conjuguem outros factores, que são, por vezes, de difícil identificação, como: hormonas, medicamentos ou alimentos. Na maioria dos casos, a PAI não se manifesta e fica latente, até que se conjuguem outros factores. A PAI é a principal porfiria que causa sintomas agudos, geralmente severos e com risco de vida, mas de curta duração. Esta é porfiria aguda mais comum nos EUA.

 

 

PORFIRIA ALAD (PAD): deficiência de ácido delta-aminolevulínico (ALA) Dehidratase

É um tipo muito raro de porfiria, que se deve à deficiência da enzima ácido delta-aminolevulínica dehidratase, que aumenta a excreção do ácido na urina. É uma doença autossómica recessiva.

 

 

COPROPORFIRIA HEREDITÁRIA (CPH): deficiência da enzima coproporfirinogen (COPRO) III oxidase

É uma doença autossómica dominante. A enzima encontra-se na mitocôndria.

 

 

PORFIRIA VARIEGATA (PV): deficiência de protoporfirinogen (PROTO) oxidase (PPOX)

É uma doença muito comum nos brancos da África do Sul (3 para cada 1.000 pessoas), praticamente todos descendentes da união de dois colonos holandeses na região em 1688. É autossómica dominante, bastando, por isso, um gene para a desencadear. Foram identificados alguns casos raros de existência de 2 genes mutantes no mesmo indivíduo.

 

 

PORFIRIA CUTÂNIA TARDIA (PCT): deficiência de uroporfirinogen (URO) III decarboxilase

É a mais vulgar das porfirias e deve-se à deficiência da enzima uroporfirinogen decarboxilase (UROD). É uma doença geralmente adquirida e não congénita, no entanto, alguns doentes têm uma deficiência genética (autossómica dominante) de UROD, que contribui para o desenvolvimento da PCT. A maioria dos que herdam a deficiência enzimática não chegam a apresentar sintomas. A doença é adquirida quando ocorrem factores externos que afectam uma enzima no fígado.

  • Porfirias Eritropoiéticas:


PROTOPORFIRIA ERITROPOIÉTICA (PPE): Esta porfiria caracteriza-se por níveis anormalmente elevados de protoporfirina IX nos eritrócitos, nas fezes e no plasma e por sensibilidade à luz visível e também pela existência de uma quantidade diminuída da enzima ferroquelatase. É uma porfiria autossómica dominante.

 

Podem existir ou coexistir diferentes causas para a manifestação desta porfiria:

O gene ALAS2 é responsável pelo desenvolvimento dos eritroblastos e é muito importante na produção de heme. Existem pelo menos 2 diferentes mutações deste gene que têm sido encontradas em doentes com protoporfiria eritropoiética.

O gene FECH comanda a enzima ferroquelatase, que também está envolvida na produção de heme e é responsável pelo oitavo e último passo no processo de produção do heme. Neste passo do processo é inserido um átomo de ferro no centro da protoporfirina IX, produzida no passo anterior (sete).

Para que se sofra desta doença é necessário ter as duas cópias do gene FECH mutadas, existindo diversos tipos de mutação deste gene.


PORFIRIA ERITROPOIÉTICA CONGÉNITA (CEP): deficiência de uroporfirinogen (URO) III sintase

Esta doença é extremamente rara e é autossómica recessiva. É igualmente conhecida por Doença de Gunther. Foram identificadas diversas mutações do gene para esta enzima em diferentes famílias.

 

 

PORFIRIA HEPATOERITROPOIÉTICA (HEP): deficiência da uroporfirinogen decarboxilase (UROD)

Este tipo de porfiria é muito raro e é autossómico recessivo. É causada pela mutação e mambas as cópias do gene UROD em cada célula.

 

SINTOMAS


Os sintomas das Porfírias Hepáticas podem ser mistos (sintomas PCT e sintomas PAI) e estarem latentes (apenas haver presença de copro e uroporfirinas) até que um factor externo provoque sintomas. Os doentes com porfirias hepáticas correm um maior risco de contraírem cancro de fígado.

 

As porfírias agudas afectam primeiro o sistema nervoso central, provocando reacções metabólicas violentas como fortes dores abdominais e musculares, refluxo, vómitos, espasmos, paralisia e convulsões, e também perturbações dos sentidos como distúrbios mentais, alucinações, depressão, transtornos de personalidade ansiedade. Quando o sistema nervoso fica danificado podem ocorrer problemas cardíacos, respiratórios, musculares, etc. Os sintomas podem ser desencadeados por medicamentos, agentes químicos e certos alimentos ou mesmo por falta de alimentação que origina a queda dos valores de glicemia.

 

As porfirias cutâneas afectam primariamente a pele. A fotossensibilidade causa bolhas, necrose da pele e gengivas, prurido e edema, que demoram a sarar deixando cicatrizes e manchas desfigurantes. Acontece igualmente crescimento de pelos em áreas algumas áreas como a testa. A acumulação de resíduos excretados pela urina pode torná-la vermelha, castanho escuro ou púrpura. Também pode haver acumulação dos precursores nos dentes e unhas, levando-os a adquirir uma coloração avermelhada.

 

sintomas de diferentes porfirias cutâneas

Os sintomas e consequências de algumas porfirias podem ser tão traumáticos, que muitos doentes se suicidam, se tornam anti-sociais, agressivos e se isolam.

 

PORFIRIA AGUDA INTERMITENTE (PAI) – é a mais frequente e é característica do sexo feminino e dos jovens. Normalmente a deficiência da enzima não é suficiente para causar as crises, sendo necessários outros factores externos para despoletar uma crise. Cerca de 80% dos portadores de da enzima deficiente não chegam a ter sintomas e muitos sofrem apenas sintomas leves ocasionais.

As crises são geralmente despoletadas pela conjugação de diversos factores externos, o que torna a sua identificação mais difícil: medicamentos (barbitúricos, sulfamidas, antiepilépticos); hormonas (progesterona, esteróides); alimentação (pobre em calorias e hidratos de carbono, álcool) ou stress.

 

Os sintomas podem durar vários dias e surgem, normalmente, depois da puberdade, sendo mais frequentes nas mulheres. A dor abdominal é o sintoma mais frequente e pode ser muito violenta. Outros sintomas gastrointestinais são: náuseas, vómitos, prisão de ventre ou diarreia e distensão abdominal. Pode verificar-se dificuldade em urinar. A frequência cardíaca costuma aumentar durante as crises e verifica-se hipertensão arterial, muita transpiração e intranquilidade.

 

Todos estes sintomas resultam de efeitos sobre o sistema nervoso. Os nervos que controlam os músculos podem ser lesados, provocando fraqueza nos ombros, nos braços e até nas pernas, provocando falta de sensibilidade e de reflexos, dores intensas e tremores. Esta fraqueza pode estender-se a todos os músculos, incluindo os implicados na respiração, fala, deglutição e visão e até provocar paralisia facial. Casos em que as crises são fortes e frequentes, podem, a longo prazo, sofrer paralisia dos membros superiores e inferiores e convulsões que podem levar ao colapso respiratório e à morte. Verificam-se, igualmente, casos de histeria, irritabilidade, ansiedade, apatia ou depressão, fobias, psicose, alucinações e confusão, desordens orgânicas, agitação, delírio, sonolência ou coma e mesmo situações de suicídio. A hipertensão arterial mantém-se frequentemente depois da crise.

 

Nalguns casos a recuperação é rápida mas noutros pode demorar vários meses ou anos. As crises, mesmo fortes, não duram muito se forem tratadas adequada e rapidamente, mas se não forem tratadas podem durar semanas ou meses e mesmo conduzir à morte.

Como os sintomas se podem manifestar isoladamente, podem ser confundidos com os de outras inúmeras doenças do sistema digestivo, neurológicas ou psíquicas.

 

PORFIRIA ALAD (PAD) – causa sintomas idênticos aos da PAI.:

 

COPROPORFIRIA HEREDITÁRIA (CPH) – aumento significativo na coproporfirina nas fezes e na urina. As crises agudas têm sintomas semelhantes aos da PAI e podem levar a neuropatia periférica. Pode igualmente provocar lesões cutâneas semelhantes às da porfiria variergata e da porfiria cutânea tardias, em 30% dos casos.

 

PORFIRIA VARIEGATA (PV) – apresenta diferentes sintomas. As manifestações cutâneas são mais evidentes e crónicas do que as da CPH. As lesões cutâneas ocorrem, normalmente, nas áreas expostas à luz (rosto, pescoço, antebraços e mãos). Observam-se bolhas e úlceras em diversas fases de cicatrização, além de áreas de fragilidade mecânica sobre protuberâncias ósseas. As dores abdominais e a neuropatia periférica são semelhantes às da PAI.

 

 

PORFIRIA CUTÂNIA TARDIA (PCT) – mais característica do sexo masculino, depois dos 30-40 anos. É uma porfiria hepática, que se verifica em todas as partes do mundo, sendo a mais frequente e a única que não é hereditária. Os sintomas devem-se à inactividade da descarboxilase do uroporfirinogen, uma das enzimas de que o fígado necessita para a síntese do heme.

 

Embora não seja hereditária, por vezes, uma deficiência parcial da enzima, herdada de um dos pais, faz com que o indivíduo seja propenso a desenvolver esta porfiria. Nesses casos, chama-se porfiria cutânea tardia familiar, por haver deficiência hereditária autossómica dominante de uroporfirinogênio descarboxilase no fígado e eritrócitos. Os factores que contribuem para o seu aparecimento são o ferro, o álcool, os estrogénios e a infecção provocada pelo vírus da hepatite C. Com menor frequência, a porfiria cutânea tardia manifesta-se nas pessoas infectadas com o vírus (HIV).

 

Aparecem bolhas nas zonas expostas ao sol e a pele, sobretudo a das mãos, torna-se sensível a pequenos traumatismos. As crostas e cicatrizes resultantes das bolhas demoram muito a curar. As lesões da pele produzem-se porque as porfirinas originadas no fígado são transportadas pelo plasma do sangue até à pele. O fígado em geral fica parcialmente lesado, devido a uma infecção pelo vírus da hepatite C ou pelo abuso de álcool. Com a evolução do processo pode-se desenvolver cirrose hepática e inclusive cancro do fígado.

 

PROTOPORFIRIA ERITROPOIÉTICA (PPE) – nesta porfiria forma-se protoporfirina na medula óssea, glóbulos vermelhos e plasma sanguíneo, provocando a fotossensibilidade da pele.

 

PORFIRIA ERITROPOIÉTICA CONGÉNITA (CEP) - evidencia-se nas crianças com anemia hemolítica grave, fotossensibilidade, ulcerações e hipertricose.

 

PORFIRIA HEPATOERITROPOIÉTICA (HEP) – é extremamente rara e os sintomas são semelhantes aos da CEP. Os sintomas cutâneos aparecem na infância. As porfirinas em excesso aparecem na medula óssea e no sangue e também no fígado, plasma, urina e fezes.

 

 

TRATAMENTO


Os ataques graves de PAI tratam-se com heme, por via endovenosa e as dores associadas com analgésicos. O heme é fixado pelo fígado, onde compensa a síntese reduzida do mesmo. Se o tratamento for feito assim que surgem os sintomas, a recuperação é rápida, caso contrário além de ser demorada pode deixar lesões nervosas permanentes. Os tratamentos com heme também podem ser utilizados como prevenção, mas precisam ser estudados caso a caso.

 

Para ajudar a minorar os sintomas também se utilizam injecções de glicose e uma dieta rica em hidratos de carbono. O acompanhamento médico é muito importante, sobretudo porque sabendo da existência da doença, este poderá determinar os factores que contribuíram ou poderão contribuir para as crises e mandar retirá-los de imediato e proibi-los no futuro. Para estes doentes o consumo de álcool e tabaco é proibitivo.Caso seja uma doença ou infecção que provocou a crise é necessário tratá-la de imediato. Podem prevenir-se os ataques de PAI mantendo uma boa nutrição e evitando medicamentos e outros factores que podem provocá-los. Devem-se evitar as dietas para perder peso. Está em fase de investigação a hormona gonadotropina, como prevenção nas crises pré-menstruais.

 

Os tratamentos actualmente utilizados para as porfírias agudas, com crises moderadas, são basicamente dietas ricas em carbohidratos e glicose, que podem interromper as crises ou auxiliar na recuperação.

 

São igualmente utilizados medicamentos como a Hematima e o Arginato de Heme, que actuam sobre a enzima ALA sintase, bloqueando a produção e acumulação de porfirinas. No entanto estes medicamentos, que apenas reduzem a duração e intensidade das crises, são muito caros e não se encontram disponíveis com facilidade em muitos países.

 

Para a dor utilizam-se analgésicos fortes. Para as náuseas os medicamentos nem sempre são eficientes, havendo médicos que aconselham banhos de imersão em água quente. Quando as crises são muito frequentes há doentes que desenvolvem dores crónicas, para as quais além de analgésicos podem ser necessários tratamentos e mesmo a utilização de drogas, como opiáceos. São também necessários antidepressivos, uma vez que a doença causa problemas psicológicos. A hipertensão e os problemas respiratórios, resultantes da doença, não podem ser descurados e precisam ser controlados.

 

 

Os doentes, com crises agudas, devem andar identificados com algo que permita aos profissionais de saúde não perder tempo nem utilizar medicamentos contra indicados. Por exemplo medicamentos habitualmente utilizados nas convulsões não podem ser administrados a estes doentes, medicamentos que eliminam o excesso de porfirinas no fígado, como a cloroquina ou hidroxicloroquina, e que são utilizados também noutras doenças, só podem ser administrados em doses reduzidas a estes doentes.

 

A PCT é a porfiria mais fácil de tratar, sendo o tratamento mais eficaz a flebotomia, em que se extraem 500 ml de sangue a cada uma ou duas semanas para diminuir a quantidade de ferro  e assim baixar os valores de porfirinas no fígado e no plasma. Habitualmente não são feitos mais de cinco ou seis tratamentos, porque existe risco de anemia.

 

Em todas as porfirias cutâneas é imprescindível a aplicação de protectores solares, bem como evitar ao máximo a exposição à luz solar, utilizando, nomeadamente, chapéus de aba larga, mangas compridas e materiais que filtrem os raios solares nas janelas das casas, carros, etc.. O betacatoreno é um dos produtos mais eficazes para ajudar a suportar melhor a luz solar.

 

Os doentes com protoporfiria eritropoiética podem desenvolver cálculos biliares, que terão que ser extraídos cirurgicamente e por vezes as lesões do fígado obrigam ao seu transplante.

 

ORGANISMOS DE APOIO


Existem diversos organismos internacionais e em vários países para apoio a doentes e familiares com porfirias e também a médicos e ao público em geral (p.e. European Porphyria Initiative e American Porphyria Foundation. Visam disponibilizar informação actualizada e dar a conhecer as doenças. Além disso alguns destes organismos apoia estudos para o desenvolvimento de um maior conhecimento da doença, quer em investigação sobre a doença e suas causas como na investigação de novos tratamentos. É extremamente importante a existência deste tipo de organizações, porque além de apoiarem os próprios doentes e criarem grupos de estudo dos doentes, permitem-lhes igualmente partilhar com os outros as suas experiências e prestam igualmente informação aos profissionais de saúde sobre os desenvolvimentos e descobertas que estão a acontecer por todo o mundo.

 

Existem igualmente diversas associações que visam dar a conhecer doenças raras e conseguir despertar o interesse da sociedade para incentivar o estudo dessas doenças e formas de tratamento.

 

TESTES DE DIAGNÓSTICO


A porfiria é diagnosticada através de espectroscopia (as porfirinas têm um espectro característico de absorção) e exames bioquímicos ao sangue, urina e fezes. A dosagem de porfobilinogen (PBG) na urina e as concentrações de ácido delta-aminolevulínico são os primeiros passos na suspeita de porfiria aguda, à excepção da porfiria ALAD, e no caso de porfirias cutâneas medem-se os valores de porfirina no plasma. No entanto, por vezes há necessidade de repetir várias vezes os exames, durante os ataques, porque entre as crises os níveis podem estar normais ou muito próximo do normal, por isso muitas vezes o diagnóstico é tão demorado. As alterações de cor na urina, depois de exposta à luz, podem ajudar o médico quanto ao diagnóstico. Podem realizar-se outros exames, como certas medições enzimáticas dos glóbulos vermelhos, quando os resultados são anormais.

 

 

O diagnóstico precoce só costuma ser realizado se houver historial familiar ou se o médico colocar logo à partida essa hipótese.

Devido aos diversos tipos e a ser uma doença relativamente rara, a porfiria é muitas vezes mal diagnosticada como outra doença com sintomas parecidos ou comuns e é por isso necessário que os médicos estejam alerta para a existência das porfirias. Por exemplo, entre os cientes com diagnósticos de distúrbios psiquiátricos, a perspectiva de PAI é de cerca 1 para cada 500 casos, o que sugere que muitos "pacientes psiquiátricos" são na realidade portadores de porfiria não tratada.

 

A PAI Tardia pode ser diagnosticada devido ao fácil aparecimento de bolhas, fissuras, cicatrizes e hiperpigmentação da pele exposta à luz, a traumatismos e ao calor. A medição da actividade da enzima HMB sintase (ou PBG deaminase) nas hemácias pode confirmar o diagnóstico de PAI em 95% dos casos, no entanto, na PAI subtipo II, que é mais rara, este valor pode estar normal. Nesses casos, pode medir-se a actividade da enzima noutras células, como fibroblastos ou linfócitos. A Porfiria ALAD tem sintomas semelhantes aos da PAI e pode ser diagnosticada pelo aumento de ácido delta-aminolevulínico na urina. Mas a diferenciação da PAI só é possível com testes genéticos específicos, porque isso também é provável que existam casos diagnosticados incorrectamente como PAI. Na CPH, geralmente é suficiente verificar a elevada dosagem de coproporfirina nas fezes.

 

O diagnóstico definitivo é feito através da pesquisa do gene mutante. Depois do diagnóstico, tanto ao doente como aos familiares directos, é possível com simples precauções evitar que os sintomas cheguem a surgir. Infelizmente os exames ao DNA, nomeadamente para a identificação do gene PBGD, apenas podem ser feitos em alguns laboratórios de pesquisa, sendo necessário que os médicos estejam alerta para a importância deste tipo de exame na identificação definitiva da doença.

 

É igualmente necessário que sejam efectuados exames para diagnosticar a extensão das lesões nos órgãos afectados pela doença.

 

CURIOSIDADES


  • Segundo alguns relatos, no passado, antes da descoberta científica da doença, o tratamento básico para a porfíria era feita através da Sangria, método de medicina medieval que consistia em fazer uma punção da veia para retirada do que era considerado “sangue ruim”. Outro tipo de tratamento da época era a ingestão de carne crua e sangue fresco, porque se acreditava que o seu consumo retardaria ou curaria os doentes. Pacientes com perturbações mentais poderiam atacar outras pessoas para tentar beber seu sangue e existem até mesmo casos de canibalismo realizados por pessoas vitimadas pela porfíria. Devido aos sintomas os tornarem muito diferentes e os impedirem de "levar uma vida normal", no imaginário popular, ao longo de milénios, os portadores da porfiria foram considerados como seres amaldiçoados ou mesmo demónios.
  • A relação entre os mitos de vampiros e lobisomens e os sintomas das porfirias são evidentes: A luz provoca fotodermatite, com lesões e desfigurações sérias, por isso os doentes evitam a luz; As lesões podem levar à necrose das gengivas, tornando os dentes proeminentes; A doença também provoca anemia e palidez; O alho contém dialil-dissulfeto, componente que agrava bastante os sintomas das porfirias; Há crescimento de pêlos pelo rosto, que assume uma aparência cadavérica; Os sinais podem ser melhorados com injeções de heme, por isso o consumo de sangue aliviaria bastante os sinais; Alelos mutantes de certas porfirias são particularmente comuns nos Bálcãs.
  • Muitas doenças e diferenças comportamentais levaram, ao longo dos séculos, ao “isolamento”, morte ou expulsão de indivíduos da sociedade. Por falta de conhecimento médico e /ou científico e muitas vezes apenas por serem diferentes, muitos indivíduos têm sido alvo de anedotas, superstição, lendas ou muito simplesmente de exclusão por parte dos restantes, ditos “normais”. A Porfiria, pelas suas características, talvez seja aquela que mais alimentou esse tipo de mitos.
  • Na Turquia houve, entre 1956 e 1961, registo de uma epidemia de PCT. Em 1954, o governo turco distribuiu sementes de trigo tratadas com fungicidas que continham hexaclorobenzeno (HCB). Estas sementes que eram para plantar, chegaram muito tarde para esse efeito, e foram utilizadas para confecção de alimentos. Foi posteriormente comprovado que a administração continuada de HCB fazia acumular porfirinas no organismo.
  • Ainda hoje esta doença é pouco divulgada e conhecida.
  • Segundo alguns historiadores e alguns médicos que estudaram os relatos dos que trataram do Rei Jorge III de Inglaterra, este sofria de uma das porfirias agudas, provavelmente a Variegata. Os sintomas referidos eram muitas dores abdominais, vermelhidão da pele, falta de força e lapsos mentais, o que poderia ser a razão das suas excentricidades e insensatez.

OBSERVAÇÕES


Mais uma vez se verifica que, embora haja imensa informação disponível, é muito difícil ter a certeza que está correcta. A informação acerca de doenças, sobretudo de doenças raras e genéticas, está sempre a ser actualizada e por isso existe muita informação que se contradiz, isto é, já foi válida mas já foi ultrapassada. Mesmo nos sites internacionais sobre as porfirias existem discrepâncias. Por exemplo, a European Porphyria Initiative não menciona a “Porfiria Hepatoeritropoiética” e a American Porphyria Foundation inclui esta porfiria.

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